domingo, 15 de novembro de 2020

O jeito como vão embora diz tudo

 Não preciso nem dizer que não importa como esse relacionamento foi, o que importa é como a pessoa saiu da sua vida. Por que  a pessoa que é maldosa no momento da partida geralmente é cruel durante todo o relacionamento. Ninguém finge por tanto tempo. Uma hora ou outra ela mostra as garras.

Hoje fazem oito meses que aguardo uma conversa sobre o fim do meu último relacionamento. Friamente, numa conversa online, li: "Mas, entendendo o tamanho do seu incômodo, vamos conduzir numa relação com uma amizade? Pelo menos até nos encontrarmos pessoalmente e conversarmos?". E assim, me responsabilizando por tuas decisões, fui fadada a solidão e pelo descaso de nem saber os motivos da sua partida.

Junto diariamente peçinhas do meu quebra-cabeça a entender seu tchau. 

Seus defendores poderiam dizer... "Calma, ela ainda não esta pronta para essa conversa. Calma, esse diálogo ainda vai acontecer". Mas sabe de uma coisa? Você já voltou para minha vida. Você já faz seu discurso de amizade diariamante. Você já virou a página. 

Como um diretor de filme, você deixou que minha critatividade estruturasse o final dessa trama. Eu que preencha as lacunas com o que me confortar. Sua vida que segue sem uma consequencia sequer. 

O jeito como você foi embora
Disse tudo
Sobre você.

sexta-feira, 8 de maio de 2020

Exposição

Na medida em que as fases internas se modificam e amadurecem, eu vou mudando meus discursos também. É um processo, como eu costumo falar. Hoje esse processo me levou aos bons e ensolarados momentos. 

Sinto saudade de tudo. Saudade de falar com você, sentir você, abraçar você, dormir com você, escutar sua voz, elogiar seu cabelo ou suas pernas, fazer amor com você... Mas hoje o que eu mais sinto falta é do seu cheiro. O cheiro doce que sua pele tem. E do seu perfume. E do cheiro do seu cabelo. Hoje eu queria sentir seu cheiro.E queria falar, também. 

Falar sobre minha cobrança pra que você se comunique: Me desculpa por isso. Logo eu que me achava tão empática falhei em não me ver aos seus olhos. Fiquei imaginando como você esta lidando com tudo isso. Como me vê, do que deve sentir falta e o que te machuca. Tenho vivido essas últimas semanas destilando minha raiva e saudade pra lidar com esse vazio, mas você não esta destilando nada. Você nunca se comunica, mas isso não quer dizer que não sinta.

Então, me desculpa? Por te cobrar tanto. Por pedir que você fale quando não esta pronta. Por te fazer sentir coisas e guardar pra si. 

Eu entendo agora quando  você falava de exposição. Eu me exponho de uma forma que eu não sou. Eu verbalizo coisas que não sinto e eu digo que farei coisas que não vou fazer. Então eu apaguei essas mentiras. Te peço que apague também. Deixei só aquilo que é real, que é meu e aquilo que não pode te ferir. 

Aqui vão verdades sem necessidade de exposição e quero que você confie mais nelas do que em qualquer outra falácia que você leu por ai: você me inspira pessoalmente; eu ainda sinto muito sua falta; você tem um cheirinho delicioso; tenho fortes sentimentos e muita esperança em nós; mas meus pés estão definitivamente no chão. 

Ficarei bem da forma que couber. Agora eu cuido de mim. E te liberto pra que você cuide de você. Não precisa deixar de viver ou postar ou se policiar. Não precisa se preocupar com o que eu vou achar. Eu te acho incrível e ponto. Sei que somos humanos e esta tudo bem. Pode guardar ou pode ser expor: mas faz por você. Ninguém deveria te forçar a nada e agora estamos livres.

quarta-feira, 15 de abril de 2020

Você faz falta?

Conheci ela no trabalho. É louco porque eu anunciei que ela seria promovida. Liguei para pedir alguns documentos e a parabenizei. Ela agradeceu e desligamos. E a gente não se falou por uns sete meses. Sem nem saber que ela era o amor da minha vida, desliguei o telefone. 

Fui enviada pro mesmo andar que ela trabalhava. Um dia ela ligou confusa, precisava de ajuda em uma demanda específica. Procurei seu rosto entre os monitores, mas não encontrei. Os olhos  encarando o computador, deixavam claro que ela não fazia ideia do que estava fazendo. 

Passamos de colegas de trabalho à amigas em salas de reunião, comentando coisas em redes sociais até dividirmos a mesma garrafa de vinho e a mesma vida. Começamos a namorar quando ela tinha 28 e eu 23, mas parecia que a vida começava ali. Assistimos todos os filmes nacionais no cinema. Comemos todos os tipos de sushi. Queimamos algumas panelas de comida porque a conversa tava boa. Compramos viagens sem checar se era casamento de alguém. Fomos promovidas, formamos na faculdade, compartilhamos nossos melhores amigos. Das dez músicas que eu mais gosto, sete foi ela que me mostrou. Todas são MPB. Aprendi tudo sobre como mulheres engenheiras são sexys quando estão organizando minha agenda porque eu não tenho raciocínio lógico coerente pra fazer sozinha. Eu ri de todos vocês de não terem a sorte de serem namorada dela. 

Um dia, terminamos. E não foi fácil. Chorei mais do que no final de "A espera de um milagre". Mais do que "O milagre da cela 7". Até hoje, não tem um lugar que eu vá em que alguém não diga, em algum momento: cadê ela? Acredite: eu me pergunto isso a cada minuto também. Pra sempre você vai fazer falta. Se ao menos a gente tivesse tido uma filha, eu penso. Ela falaria que ia comer chicória, teria cabelo cacheado e seu tom de pele.

Essa semana, pela primeira vez, revi tudo. Nossas fotos, conversas, presentes, cartinhas. Achei que fosse chorar de novo. E o que me deu foi uma felicidade danada de ter vivido um grande amor na vida. Saudável. Leve. As vezes, raso demais, por ser um amor cauteloso. Me senti cuidada e segura a cada segundo contigo. E ter esse amor guardado em cada cartinha e memória, me fez concluir que: Não, não falta nada.

segunda-feira, 23 de março de 2020

São 8 dias para o fim do mês

Você sempre estraga datas importantes: meu aniversário de vinte e quatro anos ou nascimento da minha sobrinha. Tem seus momentos de introspeção e que "não dá conta de lidar comigo" naquele instante. Por ano, devem ter umas cinco datas importantes. Coincidentemente você não consegue lidar comigo exatamente  nesses cinco dias.

Hoje eu queria alguma resposta ou um maltrato. Queria qualquer reação pra me nortear nos outros trazentos e sessenta dias que você esta ótima. E não escutei uma sílaba. É claro. Hoje era o segundo dia importante do ano pra mim. Coincidência de novo.

Até que me permiti sair da crise de ansiedade - que a psicóloga que você odeia me ensinou a domar - e coloquei a cabeça pra fora d'água.

Você não deve saber - porque se recusa a fazer terapia - mas aquilo que nos incomoda no outro está dentro da gente. Hoje eu não só escutei essa frase como entendi. 
Eu não aguardei sua resposta nas últimas 24 horas. Eu aguardei sua resposta nos últimos dois anos.

E você SEMPRE me respondeu. Eu só não queria escutar. 
Não mandar mensagem é uma mensagem.
Silêncio é comunicação.
Mal trato é resposta. 
Frieza é fala.

Me desculpe te forçar por tanto tempo a verbalizar com palavras aquilo que você ja respondia ha tempo tempo... com você. E sua personalidade. 

Você é muito fácil de ler. É só ler a epígrafe. O histórico sempre esteve lá. Você sempre deixou seus passos transparentes e visíveis. Todo mundo que te amou sabe o fim da história. É só olhar o último jogador. Você é constante e estável. A história sempre se repete. Eu já conheço o final dessa história. Ela acabou hoje.

terça-feira, 17 de dezembro de 2019

Passageiro, mas não acaba nunca

Agacha na altura dos olhos quando conversa com crianças.
Ama café mas nunca toma nenhum.

Sempre acerta no presente.
É uma ótima dançarina.
Não é estabanada. 
É a melhor motorista que eu conheço.
Incrivelmente limpa e organizada.
Não cozinha tão bem quanto pensa. Mas acho um charme.
Chora em filmes, casamentos, brigas, enterros ou com absolutamente nada acontecendo.
Ama cuidar. Não faz por obrigação, mas simplesmente por amar acordar de madrugada, checar febre, dar remédio, fazer comida e de dedicar ao cuidado do outro.
Nunca sabe o que quer mas está sempre realizada em tudo o que faz.
Deixa os outros sempre muito a vontade.

domingo, 15 de setembro de 2019

O significado de Vanessa é borboleta. Da lagarta à liberdade, eu sou o casulo.

Tenho saudade da garota que não vinha aqui desabafar.
Você sabe e eu sei e todo mundo sabe que eu choro em palavras. 
Vir aqui é meu atestado de crise. Coloquem os cintos, pois estamos em uma.

Meses ignorando os sintomas e sinais, na esperança que fossem passageiros.
Mas as coisas simples passam a ser coisas dolorosas e densas demais, e todos começam a perceber. 

Reunimos toda energia para entrar em uma conversa ou responder provocações com o humor esperado, mas as vezes falhamos e desabamos em público, sem força alguma para se reerguer.
O interessante é que não falta apenas energia para se reestabelecer, mas falta interesse em estar bem. Realmente não quero estar feliz novamente, pois será frustrante sentir essa felicidade reduzida, sentir que não será possivel ser tão feliz como pude um dia, e entender que nunca mais estarei no meu máximo potencial. Não quero viver de nenhuma migalha.

E continuo fazendo o que tenho que fazer. Me apresento no trabalho todos os dias, sorrio para os clientes e acaricio a cabeça da minha namorada. Jogo papo pro ar com meus familiares e tomo uma cerveja com meu pai aos finais de semana. No fundo, uma voz tilintando em minha cabeça, pedindo que aquele dia não necessariamente termine bem, mas que simplesmente termine. 

Quando me deito, estou terrivelmente cansada e meu sono que antes me consumia oito horas noturnas, pode se estender até quatorze. Agora eu durmo muito pra estar ausente o tempo todo. E como pouco porque o vazio é impreenchível. Os dias vão em câmera lenta, e, honestamente, eu não sei a diferença de quinta para um domingo. São todos iguais.

E vai se tornando mais difícil, meus amigos não me encontram, minha família não consegue mais estabelecer contato, e eu me condeno a conviver apenas comigo mesma por mais algumas semanas até isolar todos completamente.

Não é triste e nem solitário. É vergonhoso. A maior parte do tempo, tenho vergonha do que faço e do que não faço. Morro de culpa e quero pedir desculpas a todos vocês, mesmo que nada tenha acontecido. Me perdoe por isso também. 

Devido a minha total falta de proposito há um imenso abismo entre nós. Agora você já sabe disso e por fim desistiu de estabelecer contato. Eu não estou aberta a nenhuma aproximação. E esta tudo bem. Não consigo acumular energia pra isso, também. Vou te deixar passar.

Minha cartada final é procurar ajuda, pois dessa vez não consegui sair da crise sozinha. Na verdade, alguma vez eu sai?
Espero que você procure ajuda também. Vai ser doloroso essa vida sem mim.


segunda-feira, 8 de julho de 2019

Barulho na tranca, alguém abre a porta.

- Quem esta ai?
- Oi! Sou eu, o Edu! Você ainda esta aqui?
- Sim.
- Cara, já fazem meses! Eu vim pra mostrar o apê pro novo inquilino.
- Eu sei... é que... eu não consigo fazer a mudança. As caixas ainda estão por aqui... em algum lugar.
- Como você consegue morar no meio dessa bagunça?
- Sei lá. Fui ficando. É minha bagunça agora.
- Já foi nossa bagunça.
- É.
(Silêncio)
- Eu preciso liberar pro novo inquilino.
- Você não quer que eu arrume a bagunça? Eu posso ficar mais alguns dias, você pode me ajudar e vamos organi...
- Carlos, não. 
- Por que não?
- Eu demorei a encontrar esse novo inquilino. Ele não vai querer ver um antigo morador aqui. Você precisa ir.
- Quanto ele vai pagar? Eu quero negociar contigo.
- Não tem negociação. A chave já esta com ele.
- Mas você nem me deixa tentar, Edu. A gente pode organizar nossa bagunça!
- Sua bagunça.
- É... minha.
- Essa bagunça agora é do novo inquilino, Carlos. Deixa ai, vamos embora.
- Mas Edu....
- Vamos.

A porta se fecha. Portas trancadas. O espaço enfim esta vazio. Bagunçado, mas vazio.

- Então é isso? Cada um pro seu canto?
- Sim, Carlos. Tchau.
- Tchau.
(Silêncio)

- Edu?!
- Oi.
- Você sabe que eu sou o proprietário, né?
- Sei.

sábado, 2 de julho de 2016

Dor

Hoje não deu. Hoje não tem música que vai animar ou companhia que vai ajudar. Não tem jeito. A gente fecha os olhos, bebe, reza, fuma, vira madrugada, reproduz falácia e movimenta um mundo inteiro pra fugir da dor. Mas tem dia que não dá. A dor fica esperando nossas tentativas cessarem e os atalhos inúteis finalizarem pra simplesmente sentar na mesa e falar “Não da pra mudar de cômodo sem passar por mim, meu bem. Eu sou a porta.” E ai você se dá conta que não tem como fugir.

E quando digo fugir, estou te avisando: Não tem nem como fazer o caminho contrário sem passar pela dor. Imagine essa casa, essa casa de três cômodos, onde o primeiro era onde você estava: uma vida feliz, um relacionamento estável, um emprego favorável, bem estar e qualidade de vida. Passa-se sorrateiramente para o segundo cômodo, onde estamos agora: Estamos fingindo que mantivemos o bem estar do primeiro cômodo, quando, na verdade, estamos no fundo do poço. Enfeitamos o porão e deixamos a luz fraca pra que ninguém veja os ratos e a sujeira. E lá vamos nós, tentando novamente ir para o terceiro cômodo: Acesso negado. A dor, como espectadora fiel, tem nos observado, aguardando o momento final em que nos rendemos e percebemos que: Não tem jeito, meu amor. A saída é por aqui. Pelo caos, choro, luto e dor. Se engana aquele que então, prefere retornar ao primeiro cômodo. Se antes seu escape fora sorrateiro e imperceptível, quero lhe avisar: Terás que atravessar outra porta, meu amor. Até pra voltar, tem dor. Aceitas a indicação que te dou: Quando mais rápido fizer a passagem, mais rápido acaba o sofrimento.


A passagem é dolorosa, mas sei que sobreviverás. Força, fé. Persiste na dor. Ela sabe como recompensar. E posso te garantir: A vista é espetacular. 

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Boa garota

Era só o que eu queria que você fosse. Uma boa garota. Você poderia apenas ter sido boazinha, e me tratado bem, e me amado, e me beijado suavemente. Ou você poderia ter contado no início de tudo, que, você definitivamente era a rainha dos escorpiões. Que você se disfarça de sapo pra não precisar entrar na história.

Eu tenho passado os últimos treze anos da minha vida tentando vender um papel de vilã que sempre te pertenceu.

Você chega de mansinho, fingindo ser uma boa garota enquanto observa meu desespero para esconder meu coração mole por trás dos espinhos e da agressividade. Mas você sabe: teatro acaba, cortinas se fecham e acabam-se as farsas. Você não foi uma boa garota. Eu não sou a vilã da novela. E no fim das contas nem eu nem você prestamos. E também não somos a vilã de nada.

Somos seres humanos que sangram, erram e acertam. A gente se encontrou no erro. 
Se é da minha natureza ser grosseira, é da sua fingir de boazinha para outros. Se é da minha natureza ser controladora, é da sua ser manipuladora com seus choros e sua falsa sensibilidade. Se é da minha natureza trair, é da sua também. Pá.
A gente se encontrou no erro.

Lembra-se de como eu te chamava? Era meu apelido carinhoso referente ao seu peso. É o nome de uma linha de ônibus que eu sempre brincava falando que era sua.

Se você tiver oportunidade, procure sobre brigas entre tubarões e baleias. É sensacional. Tem reportagens em que o tubarão não teve chance. Outras, a baleia foi exterminada. 

Não tem vencedor por aqui, entende? A gente perdeu. 

E, se você perceber, é sempre uma briga pela carne. Sim. É carnal. Não me sinto mal. Você é bonita de ver. De sentir. De comer. 

Enfim…
Você não pode ser o mar. Não merece ser tanto. Você é o ser que se andasse comigo seríamos imbatíveis. Seriamos os dois maiores seres desse oceano. Mas em contrapartida é meu inimigo mortal. 

Os tubarões nadam sozinhos, como eu já disse. 

Eu só queria que você fosse uma boa garota. Por que eu sou controladora. E você fingiu ser uma boa garota por longos anos, porque é manipuladora. Mas agora nós nos descobrimos seres humanos. 

Espero que você tenha enfim se despido pra mim. Ficado nua. Espero poder ver você agora, como realmente és. Estou nua também. 

Pelo menos isso. 

Você não foi uma boa garota.


Mas pelo menos agora você é real.

Tubarões

Gosto do sangue. Você sabe disso. Eu talvez finge que sabe. Sempre me olhou com seus olhos de piedade. Nunca me deu crédito quando te dizia que eu era um monstro. Mas eu sou. E aqui vai a prova disso. Eu gosto do sangue. 

Quando você me disse estar disposta a sangrar pela forma mais bonita que já conheceu – eu – eu só pude pensar numa coisa: Eu quero até a última gota. Quero os órgãos, as tripas, os ossos e músculos. Eu quero cada veia, artéria. Me dê seus tendões, seus cabelos, suas unhas, teus dentes. Eu quero os mucos, a saliva, as fezes, as partes censuradas, eu quero até aquilo que mais fede: eu quero sua alma.

E você, gentilmente, quer me dar tudo. Você esta disposta a salvar essa relação parasita. E é tão cômodo permitir que você dance pela minha vida, fazendo aquilo que quer: Você, e sua necessidade de me agradar. De se doar inteira pra mim. E eu, na minha necessidade de viver as custas da sua felicidade. De te sugar inteira.

Você publica os textos em que fala do amor próprio resgatado, e de como tem sido incrível superar e voltar a vida. Realmente seria incrível, se fosse real. Te escrevo agora sobre isso. Após sugar uma boa parte de você pra mim, eu possuo uma pequena parte pura. Mas é como a Lua num crepúsculo. Em breve ela desaparece no céu negro. Em breve é sugada pelo lado mal. Então, te escrevo com pressa, antes que o sapo em mim se torne novamente o escorpião, para te suplicar, e te avisar, mais uma vez: Vá.

Sei que você irá cansar de se doar inteira pra mim. Mas eu não. Eu nunca me cansarei. E depois que eu começar… Não posso parar. Você sabe. Ou finge que sabe.

Existe algo podre aqui dentro. Merda pura. Você conhece o ditado: “Merda: quando mais se mexe, mais fede”. Eu estou abrindo as feridas, cutucando as infecções. Tudo fede agora. Eu estou pronta pra surtar. Pra feder por completo. E as coisas vão ficar feias por aqui. Não existe mais espaço pra você tentar me ajudar. Agora inicia minha auto-sabotagem, e ninguém irá me parar. A única coisa que você pode fazer, é partir. Vá embora antes que eu termine de levar o resto de suas virtudes. Antes que eu sugue o resto de você para minhas entranhas. Sei o que vou fazer contigo se você permanecer. Eu não terei piedade, eu não me lembrarei dos momentos bons. Eu não me recordarei do quanto te amei. Não há mais nada aqui, além da vingança sórdida e lenta. Afaste-se, antes que eu inicie todo o processo e não reste mais nada de nós. Te peço que leve a sérios teus textos de auto-ajuda e superação. É hora de ir. E você sabe disso.

Os tubarões nadam sozinhos.


Tristeza

Veja só o que ela virou.
Um saco de merda.

Eu sinto o mal humor. Ele sai pelos meus poros. Deus.
Eu voltei a ser aquele saco de pedras sendo empurrado e puxado para todos os cantos. “A gente quer te ajudar” - eles dizem. Mas eles já não suportam mais a negatividade.
Merda.
Eu estou tão só e triste novamente. Eu estou ouvindo aquela música que não posso de jeito nenhum escutar.
Oh, Céus.

Dezembro esta chegando, amor.
O surto de dezembro era você.
Sempre foi você.

E sempre vai ser você.

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

To com saudade dele

Verdade, verdade é que ta foda. Descobri que o amor da minha vida encontrou o amor da vida dele. Puta que pariu. É claro que eu sabia das possibilidades. As probabilidades eram claras: Se ele não esta com você, uma hora estará com outra. Mas vocês sabem como funciona a esperança... Se ele ainda não está com ninguém, é porque em algum lugar, com alguma explicação exotérica, onde os cosmos de alinham esta marcado. Ele esta destinado a me encontrar no fim da estrada. É porque ele irá se casar comigo. Entrei de cabeça nas comédias românticas Hollywoodianas e me ferrei.

Não tem cosmo, não tem destino, não tem coincidências. O amor da minha vida já comprou as alianças douradas, vai se casar com uma mulher que eu sequer consigo odiar. Ela faz medicina. Faz trabalho voluntário. É loira e peituda. Sorriso brilhante. Melhor amiga da minha sogra. Digo... Ex-sogra. Era a mulher que eu inocentemente desejei que ele encontrasse quando terminamos. Sabendo que no inconsciente eu queria mesmo era que ele me encontrasse. Eu, com minha barriguinha de cerveja, cabeleira castanha, dente amarelado de café e inimiga da sogra.

Trinquei os dentes e embalei um sorrisão. Minha amiga já me puxou pro canto e avisou “Esquece de vez. Ele vai casar”. É. Parece que vai, mesmo. O que fazer? Já escutei Caetano, fui na cartomante, joguei búzios e tarô. Fiz psicanálise. Nem Freud suportou. As gavetas já estão vazias há quatro anos. O coração foi preenchido quatro vezes. Viajei os quatro cantos do mundo. E ele vai se casar dia quatro do mês que vem.

E eu vou lembrar o quanto ele gostava quando eu ficava de quatro, de quando ele despedia três vezes, fechava a porta e voltava de novo, pra despedir pela quarta vez. Vou me lembrar de quando ele contava das três ex-namoradas, e de como, agora, eu sou a quarta. Dos nossos quatro filhos. Vou me lembrar de quando planejamos que nosso quarto não teria cama, nem armário, nem nada. Só um colchão. Nosso amor surrado que ia ficar guardado dentro de quartinho de um apê de dois quartos, geladeira vazia e coração cheio.

O destino não trouxe meu amor de volta. O destino levou o amor da minha vida pro amor da vida dele.  E não tem nada que eu possa fazer. Não tem música ou lugar que caiba meu coração. Não tem ombro amigo nem ninguém que me faça esquecer os quatro anos com o amor da minha vida que agora tem o amor da vida dele, quatro anos depois.

Há oito anos eu conheci o amor da minha vida, mas esse oito não foi infinito pra nós. É pra mim. Infinitamente infinito o amor da minha vida.


Verdade, verdade, é que ta foda. Tô com saudade dele.

domingo, 22 de dezembro de 2013

Entend(i)?

Tempo ensina também que a gente precisa de tempo pra tudo. Tem coisas que a gente simplesmente não pode lidar naquele momento. Deixo pra depois. Não da pra quebrar cabeça com detalhes que as vezes, só precisam de uma maturidade que ainda não foi adquirida. Calma. Respira. Com o tempo você descobre. No momento certo a resposta vem. Tarda, mas não falha.

No fim, a gente só busca reconhecimento. Uma palavra amiga, um abraço pra avisar “Eu sei que você estava lá. Obrigado.” Eu só queria isso. Que você tivesse a ciência do mundo que construí pra você. Da vida que eu desfiz para ter a sua vida intacta. Dos tendões lesionados, ossos triturados e músculos rasgados que me permiti só pra te segurar um tempo maior no seu precipício. Eu não te deixei cair. Quase fui junto, mas voltamos nós dois. Te salvei. Te salvei mil vezes de você mesmo. Mas agora tudo virou lembranças. Você se ergueu do seu precipício e desfilou por cima das mãos que te alcançaram quando ninguém mais esteve lá.

Mas eu entendo. Entendo quando você se cala, quando joga os espinhos sobre mim; entendo quando vira mocinho da história e me deixa como vilã. É mais fácil assim. E eu te entendo. Entendo quando você não ergue as mãos pra me ajudar e quando não é honesto comigo; entendo quando não se esforça pra me agradar ou me agradecer; entendo quando seu amor falha e entendo quando seu amor retorna e você precisa de mim.

Meu único medo é que, como sempre, só eu entenda. Meu medo é de que falte compreensão da sua parte. Meu medo é que você não entenda que agora, eu que preciso cair do meu precipício. Eu preciso restaurar as energias e emoções que me foram sugadas ao longo dos anos. Eu preciso descansar dos seus vícios, seus jogos doentios. Sei que sua mão não esta estendida para me ajudar. Mas eu, boba, quis avisar. Quis entender como você vai se sentir sem mim.

Não vamos ficar bem. Já não estamos. Mas eu prometo voltar. Você só tem a mim e eu não posso mais me desvencilhar de você. Sou escrava dos seus abusos e estupros diários. Eu vivo pra te servir. Sou seu anjo da guarda. Não permitirei que você fique sozinho.

Aguarde minha volta.
Como já fora dito, tem coisas que a gente só vai entender com tempo.

Isso serve pra você e pra mim. Você vai entender.

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Dezenove

Um erro. Um erro e tudo foi por água a baixo. Foram dez minutos de um beijo, uma hora de uma transa. Não sei. O que acontece é que nos perdemos ao longo dos segundos desse relacionamento e que nunca mais pudemos retornar. Eu nunca mais pude ser sua. E você nunca mais será meu. Não pudemos retornar a nós mesmos. Nunca mais consegui confiar em alguém. E aposto que você também não. As coisas podiam ter sido diferentes, não é? Mas não foram. Nem adianta pensar e repensar em como estariam, se aqueles segundos não tivessem acontecido. Aconteceram e agora precisamos caminhar com o que sobrou de nós.

Sofri demais. Chorei à beça. Senti raiva. Falei mal de você por meses. Meu assunto predileto era falar de como você errou. De como nós nos machucamos. Assumo minha parcela de culpa. Mas você era sempre o vilão. No fundo, eu só queria que alguém tivesse pena de mim. E acertei em cheio. Não teve uma pessoa que não me olhou com os olhos pesados de – Coitada, ela nunca mais vai conseguir voltar ao normal – Não vou, mesmo. Eu cresci muito. É isso que os compositores dizem, não é? Deixe que o tempo cure. Deixei. E concluí que o tempo tira a intensidade da dor, mas não cura ninguém. Tive que reabrir as feridas, limpar, expurgar a infecção. Mas cicatrizou. Cicatrizou semana passada, quando eu enfim descobri o segredo que você não me deixava saber. Quando enfim, as peças do nosso quebra-cabeça fecharam e a história teve enfim, seu desfecho.

Consegui, enfim, enterrar você. Três anos depois, eu te deixei no meu cemitério particular, rezei por nós e fui embora. E não vou fugir de nada. Não vou esquecer. Nem fingir que não aconteceu. Você é a grande história da minha vida e é inegável que da mesma proporção em que nos machucamos nos amamos, também. E por isso, por um sentimento tão bom que vivemos um dia que eu torço por você. Sério. Juro. Falo isso limpa. Eu torço pra você. Que você fique bem depois dos espinhos que nos machucaram. Que você seja feliz. Que você tenha aprendido as coisas comigo e amadureça, assim como eu cresci e aprendi. Vou lembrar de você, agora, apenas com as coisas boas. As ruins todos já sabem, não é mesmo?

Boa sorte. Seja feliz.

RIP.

sábado, 9 de março de 2013


Tenho a melhor vista do mundo, agora. Levanto a cabeça e vejo os pisos brancos, as varandas imensas. O apartamento novo é incrível. Estou cansada. Mal cuidada, até. Mas valeu. Tenho uma vista espetacular. A maldita igreja daquele bairro, que pensei ter deixado na vista do antigo apartamento, me seguiu. Tudo bem. Aprendi a aceitar e agora não sou mais tão rebelde. Eu aprendi a aceitar os abacaxis que a vida me empurra goela a baixo.

Tenho a melhor vista do mundo. Mas nenhuma visita pra compartilhar. Mudei tudo. Fui na sina de “ano novo, vida nova” e comecei a cortar tudo. Pessoas que fazem mal, machucados abertos. Vendi a casa pra não enxergar as lembranças agarradas nas paredes. Comecei uma dieta. Pintei o cabelo, cortei. Joguei fora as roupas, discos e sapatos velhos.

Mas me esqueci de fazer novos amigos, comprar novas roupas. Tirei os entulhos, mas terminei vazia. Não tem ninguém pra ver o pôr do sol e as luzes da cidade de noite. Ninguém pra me acompanhar nas compras do shopping. Ninguém pra falar que meu cabelo novo ficou bonito.

Agora não existem mais sentimentos ruins. A mágoa, a dor e o ódio foram embora. Não odeio mais nada nem ninguém. Mas também estou incapaz de amar qualquer coisa. Como um iceberg, flutuo vazia na água gelada, incapaz de esquentar, só mostrando uma pequena parte do coração que possuo, mas que é inalcançável.

Faço um café e sento na rede que instalei na varanda. Vejo a casa de todas vocês e me lembro de como tudo era incrível naquela época. Como é que tudo se altera em questão de dias, não é mesmo? Há dois anos estaríamos tomando esse café juntas. Mas eu escolhi fazê-lo sozinha. Escolhi observar a melhor vista do mundo, porque tem a casa de vocês, e até mesmo a igreja maldita. Tudo faz parte de um passado que eu amei, chorei, sorri. Mas faz parte de um passado.

Sigo o clichê de morrer sozinha, porque descobri que só eu me suporto. Só eu sei lidar com icebergs. Icebergs que de tão gelados, queimam. Melhor sozinha.

É melhor que só eu enxergue essa vista. Ficarei aqui, cuidando de vocês, de longe. Como sempre foi. Na melhor vista do mundo.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Adeus


Ele pigarreia, me cumprimenta e pergunta se esta tudo bem. Não. Não está. E ele sabe disso. Mas quer fingir que não sabe do que estamos falando. Tudo bem... É mais fácil assim? Digo que tudo está maravilhoso, só pra ironizar o quanto é ruim. Nem me dou ao trabalho de perguntar como ele esta. Não importa. Não posso me importar.

Preciso fechar as portas de vez, ser fria. Preciso cortar esses sentimentos. E eu sei que só consigo fazer isso na base da dor. Vai ter que sofrer pra desintoxicar da droga, minha filha. Vai ter que passar por reabilitação, vai ter abstinência e todo aquele clichê. Mas pelo menos eu quero tirar ele da minha vida. É o primeiro passo, mas era o que eu achava ser o mais impossível.

Você não quer falar sobre isso, então eu vou sair sem me despedir. Olho novamente sua aliança na mão direita e nós dois pensamos juntos, sofremos juntos e entendemos juntos também. Você nunca me quis de volta. Só quis suprir a dor de perdê-la. Mas agora, que ela esta de volta... Porque você precisa de mim?
Você não precisa. E é por isso que dou um basta nessa relação. Porque sou uma líder, nata. Eu não nasci pra banco de reserva, segunda opção. Engoli meu orgulho por exatos cinco anos, pra não receber nem metade do amor que te dei. Pra mim é assim: Amor a gente não desiste. Tem que lutar, mesmo. Sofrer, engolir orgulho, correr atrás. Já fui ate desprezada por não desistir de você.

Mas assim como amor a gente não desiste, amor a gente não implora. Vai ser assim? Me procurar só quando as coisas apertam? Sai fora. Não sou divã pra lamentações. Eu quero que me chame na fome e na bonança. Na festa e nas lágrimas. E se for só pra metade, valeu aí, mas eu passo.
Dói demais não saber dos seus dias, e você não sabe a alegria de quando te vi engolindo seu orgulho pra vir falar comigo. Mas seu ego já inflou novamente... E eu não vou esperar você finalmente ver a amiga maravilhosa que fui pra você. Não. Se em cinco anos você não foi capaz de perceber isso, não lhe darei nem mais um minuto.

Ela vai embora. Vai embora pra sempre, e em breve. E quando você olhar pro banco de reservas, ele estará vazio. Eu me recuso a me humilhar mais uma vez por você. Eu desisto de te ter pela metade. Não precisa correr atrás, perguntar, pedir desculpas. Agora é tarde. Eu já fui embora, e essa é a ultima vez que eu vou gastar minhas palavras, meus pensamentos e minhas lágrimas com você.
Só pra me despedir. Eu não ousarei falar no seu nome. E você não ouse me amar novamente. Você fez sua escolha, e agora você colhe as consequências.

Um beijo, meu amor. Meu anjo.

Não foi infinito. Infelizmente, não foi.  

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Retrospectiva 2012




Minha retrospectiva não tem nada a ver com o que aconteceu em um ano. Não tem a ver com a nota que 2012 merece. Toda bênção e consequência estão guardados em mim. E agora vomito tudo aqui. Tudo aquilo que cada gota de sangue e cada neurônio absorveu, eu jogo aqui, pra que eu nunca me esqueça o que meus dezessete anos me proporcionou.

Há três anos, eu larguei meus amigos, meu namorado, meu mundo perfeito e fui contra meus próprios valores e contra as indicações da minha própria família para abastecer a sonhadora que existia em mim. Me arrependi, quebrei a cara. Vi meus amigos de anos se esquivando até desaparecerem, vi rostos amigos torcendo pelo meu mal e vi meu grande amor indo embora.

Por satisfazer sonhos bobos, eu estava sozinha. Me culpei por tanto tempo, me arrependendo de ter olhado só para mim mesma, pela primeira vez. Deveria eu, continuar me doando sempre pelos outros, acima de qualquer coisa?

O tempo passou e as respostas chegaram. Há duas semanas eu me formei. E em algum momento, seja lá recebendo meu diploma, ou confeccionando meu texto de oratória, percebi que um sonho bobo, nunca deixa de ser um sonho. E logo, nunca deve ser ignorado.

Percebi que amigos verdadeiros não se alegram nas suas vitórias, e sim se você esta feliz com elas. Achava que um bom amigo era aquele que se doava pelo outro. Mas hoje, eu sei que um bom amigo é aquele que te lembra "Ei, se coloca em primeiro lugar sempre, porque se você não o fizer, quem mais vai fazer?".

E fui em frente com meu sonho. Perdi mil amigos. E não ganhei nem cinco. Mas cinco valiosíssimos. Cinco que não tiveram duvidas sobre acatar minhas dores. Cinco que não jogaram dos dois lados, que entenderam minhas dores, minhas repulsas. Que estiveram comigo quando os dias ficaram escuros.

Muito pouco. Muito sozinha. Mas feliz. Focada e ciente que dei asas aos sonhos corretos. Se me perguntarem se sinto falta, não nego: Sinto sim, a cada minuto. Mas não abro mão de ser feliz pelos outros, nunca mais.
Gente: Felicidade e amor são as únicas duas coisas no mundo que não dá pra colocar na mão de qualquer um! Se você não sabe cuidar do seu, quem dirá dos outros! Se alguém um dia te oferecer o próprio coração, devolva. A vida dos outros não cabe a você, cuidar. E não se esqueçam de se fazer felizes, as vezes. Brigadeiro, DVD, uma boa festa ou só acordando no fim da tarde.

Ser feliz é tão simples, que as vezes a gente nem vê. E acha que felicidade é uma pessoa, um sentimento. Eu termino 2012 assim: Feliz. E sei que sou feliz porque estou sozinha, porque eu me proporcionei essa sensação. Colhi os bons frutos que plantei e arranquei as ervas daninhas de perto. Não é o quintal mais vistoso da vizinhança, mas esta crescendo, esta crescendo... Vai vendo.

Valeu 2012! Com você eu comecei a me tornar a mulher que sonhei em ser. É só um começo. Mas o primeiro passo foi dado. Não vou mais parar. O ano de 2013 vem vindo, cheio de mudanças e novidades. Tudo vai ser experiência, crescimento. Mas vai ser feliz, cheio de sonhos dos quais eu darei asas. Cheio de amor próprio e boa companhia. Não quero rever nada que aconteceu. O que teve em 2012, fica em 2012. Tinha que acontecer. Tinha que ser daquela maneira, e por mais que isso não me deixe feliz, eu tenho aprendido a arquivar como experiência. O bem que vier, é bem vindo. E há males, que vem para o bem, não é mesmo?

Pronta pro próximo?
Welcome, 2013.

domingo, 25 de novembro de 2012

És tu


Sei que é você. Sei que é por você. Sou melhor porque tenho você. Sou amor porque sou de você. E é por isso que sempre vou ceder. Sempre vou permitir que ocorra. Porque é com você que quero chegar no fim do dia, e é seu rosto que quero ver de manhã, ao meu lado. Por saber que é você o amor da minha vida que suporto os erros e os dias ruins. Depois de uma briga, paro e me teletransporto para quando estivermos velhos, cabelos grisalhos, sentados na varanda, enquanto aqueço meus pés nos seus. É uma briga muito pequena para o destino que esta chegando. Para o futuro que estou planejando.
Planeja comigo?
Sei que estamos muito conectados, mas sei que estamos em um mundo e que não somos somente nós dois. Muita coisa de fora influencia, e vai influenciar por ambas as partes. Novas pessoas, novos lençois. Mas sei que o "Sim" do altar será pra você. Sei que no último segundo, quando tiver de pensar em alguém, vai ser em você que vou pensar. Quando eu tiver de escolher, vai ser você. Você vai se lembrar de como ficava linda nas roupas de frio, e eu vou pensar nos seus olhos gigantes, me procurando aonde quer que fosse. Você sempre entrega no olhar. 
Todo mundo te conhece só pelo o que falo. Não consigo chegar numa mesa de bar e não falar por horas do ser humano incrível que é você. Mesmo depois de uma briga, eu não consigo falar de você sem tecer elogios ao seu cérebro pensante ou seu sorriso de moleque. De como você fica lindo quando esta com a barba mal feita. Você é uma pessoa incrível e é por isso e mais duzentas mil coisas que quero terminar minha vida do seu lado. Porque você me faz ficar pequena em seus braços, e é nesse momento que me sinto mais segura, também. Quando tudo estiver perdido e estivermos em outros colos, você vai lembrar da minha voz doce quando cantava ao som do seu violão, e eu vou me lembrar dos batimentos do seu coração. Nós vamos sorrir e simplesmente ter a consciência de que somos o amor da vida do outro. Vou me levantar e encontrar minha alma gêmea. Porque sei que é você, e é por isso que espero tudo, suporto tudo. Você me escolheria sempre. Eu te escolherei sempre. O amor nos escolheu. Pra sempre. 

domingo, 11 de novembro de 2012




Junto as forças que tenho pra carregar as malas daqui pra fora. - Assim que passar dessa porta, tudo vai mudar, tudo vai mudar. – eu penso. Nada disso. Eu me viro e a vejo me nutrindo, me enchendo e me aumentando. Eu percebo nosso cordão umbilical nos juntando novamente, como um imã que procura incansavelmente o outro, para se tornar um.
Eu tento te deixar, mas sei que você me puxa de volta.
Pare de gritar, abaixe o tom da voz. Não é por autoritarismo. Escuta isso. Escuta as entrelinhas no silêncio. Se permita escutar algo além do seu alter ego. Não peço que escute minha voz. Eu sei tão pouco. Aquela criança ainda esta esperando para te escutar. Para aprender com você. Me contaram que os pais que nos ensinam essa coisa de viver, de crescer.
Aonde estava você, nessa hora?
Eu não sei nada porque você nunca me ensinou nada. Então, não escute a mim. Não escute a você. Sei que quando você se cala, inicia uma nova guerra ai dentro. São pensamentos gritando, arrancando as paredes e pulando pelas janelas. Pare os pensamentos. As palavras. Escute ao músculo dentro do seu peito. Ele é quem permite que você abra a boca para falar tantas besteiras. Dê um pouco mais de valor pra isso. Escute o que ele te suplica pra fazer.
E se ai, sim, se você quiser quebrar a cadeia magnética que temos, eu esquecerei tudo. Eu cortarei nosso cordão, nossos laços e tudo aquilo que nos une, e não volto. Eu levo as malas, os olhares e as felicidades pra fora dessa porta. E tudo será melhor. Porque você fez o que seu coração mandou, e consequentemente, você foi mais feliz com suas escolhas. Você fez o que devia ter feito, e não permitirei que se lamente, depois. Nenhuma lágrima. Você fez o que devia ser feito.
Se ainda assim doer, se ainda assim houver mágoas e arrependimento: Você continua pensando demais. E sentindo de menos.

Eu sinto muito. 

terça-feira, 30 de outubro de 2012

O pior pra você


To precisando de um lugar quieto com você. Sem medo de quem vai chegar, da hora que preciso ir. Sem medo de você me devorar, de eu não resistir a você. Preciso de um lugar nosso, pra te mostrar o que somos nós. Preciso de um lugar vazio pra te mostrar como somos vazios.

Sou cheia das borboletas, você, da fumaça. Fumaça que te enjoa o estômago, que necrosa os pulmões e que deixa cega de mim. Você não vê, mais minha borboletas são douradas. Você já conhece essa história?

 Você não vê, mas minhas lagartas saem do casulo pra se tornarem escorpiões e cobras. E com meu veneno eu te puxo pra perto e te entorpeço com mais fumaça.

Abra teus olhos e perceba o mal. Larga esses cigarros e dê um basta na minha imprudência, na minha falta de amor. Não vê como sou perigosa? Como sou ruim pra ti?

Te vi percorrendo longos caminhos envolvida numa auréola, branca e luminosa. E eu te sugo cada mais vez mais. Eu pego toda essa inocência e transformo em podridão, enquanto eu me torno forte na sua dependência de mim. Te mordo como as saborosas maçãs verdes à minha frente, e te degusto como se fosse a primeira refeição após longos anos.

Minhas borboletas querem salvar você.

Minha borboletas querem me salvar.

Se salve! Aproveite que estou repousando e fuja. Roube as chaves e saia dessa algema. Aproveite que não estou te aplicando nenhuma droga, e na sua abstinência, me enxergue como sou. O monstro que sou.
Fuja das minhas promessas furadas, meus erros contínuos, meu jeito prepotente de ser. Sou hipócrita também. Fuja dos meus enganos.

Mas me perdoe também. Sou uma doente insana e infeliz, que morrerá sozinha. Me perdoe por meus enganos. Mesmo depois de te envolver nas minhas promessas e em tudo que pedi que você confiasse.
Eu não sou confiável.

Eu me enganei, mas não foi só a mim que decepcionei.  Eu sei. E me culpo também.

É por isso que te entrego as chaves, o antídoto e essa carta, pra que você possa ler, depois, quando curada, pra entender que eu sempre fui o pior pra você. Pode não parecer agora. Você sabe, é a fumaça.

Mas você verá, nitidamente. Eu sempre fui o pior pra você.