Junto as forças que tenho pra
carregar as malas daqui pra fora. - Assim que passar dessa porta, tudo vai
mudar, tudo vai mudar. – eu penso. Nada disso. Eu me viro e a vejo me nutrindo,
me enchendo e me aumentando. Eu percebo nosso cordão umbilical nos juntando
novamente, como um imã que procura incansavelmente o outro, para se tornar um.
Eu tento te deixar, mas sei que você
me puxa de volta.
Pare de gritar, abaixe o tom da voz.
Não é por autoritarismo. Escuta isso. Escuta as entrelinhas no silêncio. Se
permita escutar algo além do seu alter ego. Não peço que escute minha voz. Eu
sei tão pouco. Aquela criança ainda esta esperando para te escutar. Para
aprender com você. Me contaram que os pais que nos ensinam essa coisa de viver,
de crescer.
Aonde estava você, nessa hora?
Eu não sei nada porque você nunca me
ensinou nada. Então, não escute a mim. Não escute a você. Sei que quando você
se cala, inicia uma nova guerra ai dentro. São pensamentos gritando, arrancando
as paredes e pulando pelas janelas. Pare os pensamentos. As palavras. Escute ao
músculo dentro do seu peito. Ele é quem permite que você abra a boca para falar
tantas besteiras. Dê um pouco mais de valor pra isso. Escute o que ele te
suplica pra fazer.
E se ai, sim, se você quiser quebrar
a cadeia magnética que temos, eu esquecerei tudo. Eu cortarei nosso cordão,
nossos laços e tudo aquilo que nos une, e não volto. Eu levo as malas, os
olhares e as felicidades pra fora dessa porta. E tudo será melhor. Porque você
fez o que seu coração mandou, e consequentemente, você foi mais feliz com suas
escolhas. Você fez o que devia ter feito, e não permitirei que se lamente,
depois. Nenhuma lágrima. Você fez o que devia ser feito.
Se ainda assim doer, se ainda assim
houver mágoas e arrependimento: Você continua pensando demais. E sentindo de
menos.
Eu sinto muito.

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