domingo, 11 de novembro de 2012




Junto as forças que tenho pra carregar as malas daqui pra fora. - Assim que passar dessa porta, tudo vai mudar, tudo vai mudar. – eu penso. Nada disso. Eu me viro e a vejo me nutrindo, me enchendo e me aumentando. Eu percebo nosso cordão umbilical nos juntando novamente, como um imã que procura incansavelmente o outro, para se tornar um.
Eu tento te deixar, mas sei que você me puxa de volta.
Pare de gritar, abaixe o tom da voz. Não é por autoritarismo. Escuta isso. Escuta as entrelinhas no silêncio. Se permita escutar algo além do seu alter ego. Não peço que escute minha voz. Eu sei tão pouco. Aquela criança ainda esta esperando para te escutar. Para aprender com você. Me contaram que os pais que nos ensinam essa coisa de viver, de crescer.
Aonde estava você, nessa hora?
Eu não sei nada porque você nunca me ensinou nada. Então, não escute a mim. Não escute a você. Sei que quando você se cala, inicia uma nova guerra ai dentro. São pensamentos gritando, arrancando as paredes e pulando pelas janelas. Pare os pensamentos. As palavras. Escute ao músculo dentro do seu peito. Ele é quem permite que você abra a boca para falar tantas besteiras. Dê um pouco mais de valor pra isso. Escute o que ele te suplica pra fazer.
E se ai, sim, se você quiser quebrar a cadeia magnética que temos, eu esquecerei tudo. Eu cortarei nosso cordão, nossos laços e tudo aquilo que nos une, e não volto. Eu levo as malas, os olhares e as felicidades pra fora dessa porta. E tudo será melhor. Porque você fez o que seu coração mandou, e consequentemente, você foi mais feliz com suas escolhas. Você fez o que devia ter feito, e não permitirei que se lamente, depois. Nenhuma lágrima. Você fez o que devia ser feito.
Se ainda assim doer, se ainda assim houver mágoas e arrependimento: Você continua pensando demais. E sentindo de menos.

Eu sinto muito. 

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