domingo, 18 de dezembro de 2011

Quanto vale uma amizade?



Tudo envelhece com o passar do tempo. Por mais que o quarto esteja lindo com os ursos na prateleira, tem hora que precisa mudar. É sempre muito lindo no começo, porque é diferente. Mas a imagem do quarto com aqueles ursos se torna comum e logo não é mais especial. Hora de mudar. Tire os ursos daí, guarde num canto do armário e coloque os livros no lugar. Em breve você precisará descartar os livros, também. Aceita e entende, que a vida é assim. Mas não se esquece de olhar pros ursos da prateleira e relembrar. Relembre de quando o ganhou e quando o colocou ali. Era excepcional pra você. Porque é que você esta tirando o urso, agora? Quanto valeu aquela amizade? O suficiente pra se manter na prateleira, ou o bastante pra ir para o fundo do armário? Não adianta falar que esqueceu o passado. O passado é o que você é, hoje. É uma parte que esta presa em você como um coração. Não da pra viver sem. Entenda que passado não é pra ser esquecido. É pra ser guardado, e sempre que necessário, relembrado. Apesar de não ter o mesmo quarto de antes, sou a mesma. E ainda vejo imagens de coelhos e tenho vontade de te mandar, pra falar que parece com você. Tenho vontade de te mandar frases sobre pessoas que como nós, são desprovidas de sentimento, só pra ter consciência que não estou sozinha no mundo e que você também não está. Mas tento evitar tudo isso, pra não cair em tentação da emoção. Quero ser só razão por um tempo. Ser emoção me faz voltar a vocês. E estar com vocês, é impossível pensar. É só sentir. Então, se sinto, logo, me magoo. Infelizmente é assim. Amigos são as pessoas que mais me fazem bem no mundo. E era tão fácil suportar alguns espinhos. Mas agora sangra demais. Antes eu me aproximava, me cortava e afastava. Quando o machucado fazia a casquinha, voltava. E vocês abriam novamente aquela ferida. Infelizmente agora preciso ficar longe o suficiente para cicatrizar. Sei que esses machucados só são espinhos aos meus olhos. Só é perigoso pra mim. E não vou obrigar ninguém a vê-los como espinhos, também. Mas não da pra ficar num lugar que te sufoca, e te machuca. Amo esses ursos de todo coração, e é por isso que eles nunca descerão para o porão. Ficarão no fundo do armário, até que eu possa colocá-los novamente na minha prateleira. Evitarei sentir, por agora. Mas eu volto, quando toda essa confusão interna, parar. Quando organizar as idéias e o coração. Aniquilei, mas volto, quando puder.

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