sábado, 11 de dezembro de 2010
Finally
Não vai dar pra resumir esse ano. Não tem como diminuir todos os momentos, as expectativas, os sentimentos, em poucos palavras. Vai ser grande mesmo, como todos os meus textos. Mas se ler até o final, você fará parte de 1% do meu ano. Você vai conseguir sentir menos de 1% do que eu senti. E vai ser incrível. Fiz 15 anos no começo de 2010 e eu não senti magia alguma. Não me senti como uma princesa, não tive festa, não dançei valsa, e não sofri com isso. Eu me senti com 14 anos por praticamente todo ano. Não cresci, não encorpei, não amadureci. Acredito que fiz 15 anos por agora. Gastei 6 meses do meu ano namorando um idiota, que só conseguiu me fazer mal por um ano e dois meses e tive a cara de pau de falar que ele era minha vida, que era a solução dos meus problemas e era tudo que eu sempre quis. Ok, não foi cara de pau, eu realmente acreditei nisso, mas quando eu ainda era uma criança de 14 anos. Uma criança infeliz de 14 anos que acreditava já ter visto de tudo, acreditava já saber de tudo. E hoje, eu sou uma criança infeliz de 15 anos que também acha que sabe tudo. Na verdade, eu não sei de nada e não aprendi nem metade das coisas que realmente importam no mundo. Mas eu valorizo as pouquíssimas que aprendi nesse ano. Bem, uma delas é que ninguém muda a importância e o foco da sua vida. Você vive pra você e pra sua família - as únicas coisas que são fixas na sua vida, e não mudam nunca - ninguém pode ser sua felicidade, seu ar, sua vida. As pessoas complementam. Namoros e amigos são partes da sua felicidade, da sua vida, mas não são um todo, não são tudo. Depois de duas semanas solteira me sentindo leve e feliz eu entrei em depressão. Não porque eu era ridícula e não iria conseguir viver sem ele. Mas eu tenho consciência de que todo o mal que ele conseguiu fazer em mim, eu consegui fazer nele, e apesar de nunca parecer, ele sabe disso, e concorda. Por fim, eu parei de viver por três meses e fiquei em transe, pensando na minha vida e em tudo que eu fiz. Estava me curando, voltando a vida e entendendo certas coisas. Foi nesse meio tempo que eu fiz 15 anos e cresci. Absolutamente, cresci muito. Morri de saudades e sentia falta todos os dias da minha ' melhor amiga ' fura-olho. Considerava muito, amava muito, e não consegui odiar nenhum dos dois, momento algum. Graças a Deus. Pior que carregar uma história pro resto da vida, é ter um sentimento junto dessa história. Mas eu sentia falta dela, das conversas, da risada. Percebi que temos um milhão de coisas iguais, mas hoje em dia eu não tenho vontade alguma de compartilhar isso com ela. Não tenho vontade de conversar, de ver, de nada. Não faz diferença, ver, não ver, conversar, não conversar. Os dois absolutamente não conserguiram me ensinar nada, e depois da dor, eu não sentia mais nada, porque eu não amava os dois, não odiava, não tinha nojo, não tinha nada. Absolutamente, nada. Aí eu acordei pra vida e fui viver meus nove meses perdidos em futilidades dentro de um mundo muito pequeno. Passei quatro anos numa escola fechada, que toda a sua vida tinha como júri os alunos de toda escola, que te xingavam e te rotulavam como queriam. A coordenação não te dava voz e colégio conseguiu perder uns trezentos alunos até o último ano que estudei lá. Mudei esse ano pra uma escola totalmente aberta, diferente e incomum, com curso técnico em administração, horário integral. Larguei minha mãe por todas as tardes do ano simplesmente porque eu queria um futuro melhor. Passei a pagar o dobro da mensalidade entrando num colégio de filhos de empresário, com carros importados e que moram nos melhores bairros da cidade. Obviamente, aquele não era meu mundo. Mas eu entrei assim mesmo, e não me importava. Larguei todos os meus amigos, e fui pra um lugar onde eu não conhecia ninguém. E hoje eu vejo que foi a melhor coisa do mundo. Eu vivia num mundo fechado e continuaria vivendo se não tivesse mudado. Conheci milhões de coisas diferentes, graças ao Sebrae. Guardo comigo dois melhores amigos do mundo, que me fazem sentir tão bem... Só a companhia nas aulas mudava meu humor, e isso era tudo. Convivo a alguns meses e os considero a melhor coisa que aconteceu esse ano. Dei mais valor a minha família e hoje sinto o quanto preciso deles pra viver. Por cima das brigas, das confusões e das coisas que vivemos, ela é tudo que eu tenho, e é tudo que eu preciso. Acredito em um Deus de uma forma extrema. Depois de fazer a crisma, deixei de ser a típica crise ' não acredito em Deus ' e passei a honrá-lo. Hoje eu entendo tudo aquilo que se passou na minha vida e vai passar, graças a Ele. Tenho fé e não desisto e conheço o poder que o perdão pode fazer em mim e nas pessoas a minha volta. Parei de fumar e beber logo após a minha confissão, e não me sinto mal nem arrependida. Vivo leve e feliz porque tenho alguma coisa pra confiar, amar e que me protege. E mais três coisas que o melhor ano da minha vida pode me proporcionar: a primeira, é a minha não-necessidade das pessoas. Tenho pouquíssimos amigos, deixo isso bem claro pra todos, e não sou falsa quando perguntam. Se eu acho que você é falsa comigo, você vai saber. Eu não vou te considerar amiga por consideração, nunca. Se eu não quero sua amizade, eu sumo, eu fico indiferente e não te procuro. Posso arrepender, mas se agora eu não quero, eu não quero. E se eu te respondo quando me procura, não se engane... Foi por educação. A segunda coisa, é que eu emagreci esse ano. Deixa eu contar, que nunca tive problema em ser gordinha, não dou a mínima pra isso. Mas eu precisava fazer com que os olhos da minha mãe brilhassem. Precisava abastecer o ego dela. Então, de cartela em cartela, foram quilos e quilos. Na verdade, eu emagreci uns cinco quilos, no máximo. Mas aparenta ter sido mais. Bom, deixei ela achando que foram uns oito, assim os olhos dela podiam brilhar mais. Mudei por ela. Não suporto esse tipo de atitude, de mudar por outras pessoas. Mas não era outra pessoa. Era meu começo, meio e fim. Minha vida e meu ar. Somente por ela eu faria isso. E a terceira, é o valor que hoje eu dou para os estudos. Só pra constar eu estudo de segunda a sexta por mais ou menos 8 horas por dia, com 19 matérias, e fiquei em recuperação em duas. Da pra ver que o valor que eu dei, ainda foi pouco. Mas eu valorizo muito mais cadernos e livros e principalmente, literatura. Sou apaixonada por livros, contos, histórias, frases e etc. Amo ler e obviamente, escrever. Me tornei muito mais interessada em política, jornais, revistas e informações em gerais. Leio blogs diariamente e sempre tenho idéias de livros e filmes por eles. Então, impossível resumir. Mas você pôde entender porque foi o melhor ano da minha vida ? Eu perdi todos os meus amigos, minha amiga me traiu com meu namorado no fundo do ônibus de excursão, me senti deslocada dentro da nova escola, tomei recuperação, parei de sair pra curtir e fui obrigada a emagrecer. Então, por todas as coisas ruins que Deus pôde fazer por mim esse ano, por todas as lições aprendidas, pela fortaleza que desencadeou dentro de mim, pela força que Deus me deu pra aguentar tudo sozinha, pelos amigos perfeitos que conheci esse ano... Obrigada, 2010, você acrescentou mais que imagina, você foi mais que 12 meses... Obrigada.
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