sábado, 2 de outubro de 2010

Escritoras.

Sabe qual o meu problema ? Eu escrevo. Eu exteriorizo tudo o que sofri nos últimos quinze anos. Não sangra, nem deixa marca, mas escrever dói. Dói, porque toda escritora pára um dia pra ler tudo o que já escreveu. E nós lemos a história de uma garotinha. Nós sentimos raiva, nós a amamos, mas nós sentimos muita pena. Pena, porque ela tem um talento tão grande em mãos, e gasta com sentimentos tão feios. O meu problema, além de escrever, é que eu conheço tudo o que eu penso e sinto, e no momento em que eu tenho isso em mãos, está em mãos erradas. Essas mãos, infelizmente, sabem exprimir tudo em alguns pontos, vírgulas e letras. Tem gente que ganha dinheiro sofrendo desse jeito, como pode ? Pra você ver. Até sofrer dá dinheiro. E eu, que sofro, escrevo, sinto e penso ? Não vou ganhar nada, além de um vazio. Todos os dias, quando uma escritora pega seu caderninho, começa a escrever e dilacerar cada página, ela tira tudo o que grita dentro dela e taca no papel. Ela dorme como um anjo, porque ela está leve. Ela tira todo o peso, toda a dor e fica vazia. Mas todos os dias quando ela acorda, ela está cheia de novo. Cheia de angústias, e de lágrimas. Por isso toda escritora é desinteressada, parece velha e inteligente. Nós não vemos magia em nada mais, porque não existe nada nesse mundo que nós não podemos transformar em palavras. Porque estamos o tempo todo cansadas, fartas. Nós conhecemos tudo aquilo que já pensamos e sentimos, e como já escrevemos sobre isso, não queremos mais. Um dia nós vamos conhecer tudo do mundo, e vamos ter escrito sobre isso, também. E quando não tiver mais nada pra escrever, nós ficamos loucas e morremos. E nós, ainda assim, escreveremos sobre insanidade e morte. 

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