domingo, 26 de setembro de 2010

Lembranças.

Ainda dói. Ainda machuca quando eu lembro, magoa o quanto eu amo. Mas passa, nem tudo agora é você. Agora, em partes, sou eu. Sozinha, mas eu. Agora, já são 10 segundos mais tarde, a dor é 10 segundos menor do que antes. E aí vai, se arrastando pelos ponteiros do relógio e pelos dias do calendário. Algumas semanas, um mês... As coisas começam a tomar sentido, e a gente levanta. Levanta sozinha, porque se alguém nos ajudar, a gente usa como apoio e vira dependente. Se não sabe como levantar sozinha, fica no chão e pensa. Pensa, pensa, pensa, chora por não saber como, só não pede ajuda. É como precisar de muletas pro resto da vida. E não, você quer andar com suas pernas. Então espera, a maré ta alta, a poeira não baixou. Então espera, a sua vez chega, e você levanta. Levanta, e anda pra trás. Continua mal. Mas anda. Vai pra algum lugar, mesmo que seja o mesmo lugar de sempre. Um dia aprende. Até que você para. Almeja alguma coisa na sua frente, e precisa andar. Andar pra frente, melhorar. Secar suas lágrimas pra ver direito, e parar de gritar pra escutar melhor. Aí sim, você tá pronta. As vezes você vai olhar pra tras, e vai ver o quanto era feliz. Mas, mais adiante, você se vê caída, mal. Aí você se vira pra frente novamente, e corre. Corre porque o mundo não parou pra você levantar, corre pra não perder o final feliz, corre pra alcançar as coisas de onde você parou. E aí sim, não vai doer mais, não vai magoar mais. Não será mais nada, além de lembranças.

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