terça-feira, 28 de setembro de 2010
Cigarros e espuma.
Eu posso. Na verdade, eu quero. Seria ótimo. A vitória sobre aqueles que me fizeram tão mal; estar com você, nos seus braços... Ah, seria perfeito. Mas não. Eu não desejo a minha dor, nem ao meu pior inimigo. Eu não quero que ela sinta o que eu senti. Eu não quero vingança. Eu quero recomeçar, eu quero levantar, e seguir. Eu poderia gritar e pedir pra você voltar, te convencer. Porque no fundo, eu sei que você também quer estar aqui. E eu posso te salvar de tudo isso que você se meteu. Mas não é bom pra mim. Se você não tivesse ido embora, eu não seria hoje, assim. Eu cresci muito, por não ter ninguém pra me apoiar. E eu não quero mais me rebaixar e voltar pra você. Você dizia que eu era uma criança. Pois é, eu sou muita criança pra você. Daqui a uns dias, ela vai te fazer feliz, de uma forma... E daqui a um tempo, eu vou ser feliz também. E assim não vai me fazer mal. Assim, eu curo essa ferida de vez. Saber notícias suas, sempre me fazem mal, mas a maldita da minha curiosidade sempre me faz sempre ir além. Pois então, hoje eu vou recuar. Hoje, eu não quero escutar seu nome nem sobre seu humor. Eu quero acender meus cigarros, entrar nessa banheira e ficar aqui a tarde toda, soprando espumas. Quero que a mamãe abra a porta e não me encontre com tanta fumaça. Só quero isso. Quero um pouco menos de cronômetro e compromissos. Cansei de ter que te amar todos os dias, sofrer todos os dias. Amanhã eu juro que volto. Mas hoje não. Hoje, eu só quero as coisas da forma que estavam. Difíceis, dolorosas... Mas pelo menos, eu sabia que precisava te esquecer. E me empenhava nisso. Saber de você, me dá uma pontinha de esperança. E eu não quero acreditar. Não nesse amor. Nesse amor grande, e fraco. Que era lindo, mas não tinha poder que não podia passar pelas barreiras e dificuldades. Nesse amor deficiente, que todo dia precisa de apoio pra se manter de pé. Aí não dá. Eu nunca fui inteira, você também não. Nós sempre fomos metades, nos apoiamos pra juntos, sermos um ser inteiro. Já basta precisar ser “ nós “ pra existir. Não quero que meu amor precise de uma metade pra existir, também. Na verdade, eu não quero mais nada. Nem você, nem ele, nem eu. Eu só quero meu cigarro e minha banheira.
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