quinta-feira, 25 de julho de 2013

Dezenove

Um erro. Um erro e tudo foi por água a baixo. Foram dez minutos de um beijo, uma hora de uma transa. Não sei. O que acontece é que nos perdemos ao longo dos segundos desse relacionamento e que nunca mais pudemos retornar. Eu nunca mais pude ser sua. E você nunca mais será meu. Não pudemos retornar a nós mesmos. Nunca mais consegui confiar em alguém. E aposto que você também não. As coisas podiam ter sido diferentes, não é? Mas não foram. Nem adianta pensar e repensar em como estariam, se aqueles segundos não tivessem acontecido. Aconteceram e agora precisamos caminhar com o que sobrou de nós.

Sofri demais. Chorei à beça. Senti raiva. Falei mal de você por meses. Meu assunto predileto era falar de como você errou. De como nós nos machucamos. Assumo minha parcela de culpa. Mas você era sempre o vilão. No fundo, eu só queria que alguém tivesse pena de mim. E acertei em cheio. Não teve uma pessoa que não me olhou com os olhos pesados de – Coitada, ela nunca mais vai conseguir voltar ao normal – Não vou, mesmo. Eu cresci muito. É isso que os compositores dizem, não é? Deixe que o tempo cure. Deixei. E concluí que o tempo tira a intensidade da dor, mas não cura ninguém. Tive que reabrir as feridas, limpar, expurgar a infecção. Mas cicatrizou. Cicatrizou semana passada, quando eu enfim descobri o segredo que você não me deixava saber. Quando enfim, as peças do nosso quebra-cabeça fecharam e a história teve enfim, seu desfecho.

Consegui, enfim, enterrar você. Três anos depois, eu te deixei no meu cemitério particular, rezei por nós e fui embora. E não vou fugir de nada. Não vou esquecer. Nem fingir que não aconteceu. Você é a grande história da minha vida e é inegável que da mesma proporção em que nos machucamos nos amamos, também. E por isso, por um sentimento tão bom que vivemos um dia que eu torço por você. Sério. Juro. Falo isso limpa. Eu torço pra você. Que você fique bem depois dos espinhos que nos machucaram. Que você seja feliz. Que você tenha aprendido as coisas comigo e amadureça, assim como eu cresci e aprendi. Vou lembrar de você, agora, apenas com as coisas boas. As ruins todos já sabem, não é mesmo?

Boa sorte. Seja feliz.

RIP.

sábado, 9 de março de 2013


Tenho a melhor vista do mundo, agora. Levanto a cabeça e vejo os pisos brancos, as varandas imensas. O apartamento novo é incrível. Estou cansada. Mal cuidada, até. Mas valeu. Tenho uma vista espetacular. A maldita igreja daquele bairro, que pensei ter deixado na vista do antigo apartamento, me seguiu. Tudo bem. Aprendi a aceitar e agora não sou mais tão rebelde. Eu aprendi a aceitar os abacaxis que a vida me empurra goela a baixo.

Tenho a melhor vista do mundo. Mas nenhuma visita pra compartilhar. Mudei tudo. Fui na sina de “ano novo, vida nova” e comecei a cortar tudo. Pessoas que fazem mal, machucados abertos. Vendi a casa pra não enxergar as lembranças agarradas nas paredes. Comecei uma dieta. Pintei o cabelo, cortei. Joguei fora as roupas, discos e sapatos velhos.

Mas me esqueci de fazer novos amigos, comprar novas roupas. Tirei os entulhos, mas terminei vazia. Não tem ninguém pra ver o pôr do sol e as luzes da cidade de noite. Ninguém pra me acompanhar nas compras do shopping. Ninguém pra falar que meu cabelo novo ficou bonito.

Agora não existem mais sentimentos ruins. A mágoa, a dor e o ódio foram embora. Não odeio mais nada nem ninguém. Mas também estou incapaz de amar qualquer coisa. Como um iceberg, flutuo vazia na água gelada, incapaz de esquentar, só mostrando uma pequena parte do coração que possuo, mas que é inalcançável.

Faço um café e sento na rede que instalei na varanda. Vejo a casa de todas vocês e me lembro de como tudo era incrível naquela época. Como é que tudo se altera em questão de dias, não é mesmo? Há dois anos estaríamos tomando esse café juntas. Mas eu escolhi fazê-lo sozinha. Escolhi observar a melhor vista do mundo, porque tem a casa de vocês, e até mesmo a igreja maldita. Tudo faz parte de um passado que eu amei, chorei, sorri. Mas faz parte de um passado.

Sigo o clichê de morrer sozinha, porque descobri que só eu me suporto. Só eu sei lidar com icebergs. Icebergs que de tão gelados, queimam. Melhor sozinha.

É melhor que só eu enxergue essa vista. Ficarei aqui, cuidando de vocês, de longe. Como sempre foi. Na melhor vista do mundo.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Adeus


Ele pigarreia, me cumprimenta e pergunta se esta tudo bem. Não. Não está. E ele sabe disso. Mas quer fingir que não sabe do que estamos falando. Tudo bem... É mais fácil assim? Digo que tudo está maravilhoso, só pra ironizar o quanto é ruim. Nem me dou ao trabalho de perguntar como ele esta. Não importa. Não posso me importar.

Preciso fechar as portas de vez, ser fria. Preciso cortar esses sentimentos. E eu sei que só consigo fazer isso na base da dor. Vai ter que sofrer pra desintoxicar da droga, minha filha. Vai ter que passar por reabilitação, vai ter abstinência e todo aquele clichê. Mas pelo menos eu quero tirar ele da minha vida. É o primeiro passo, mas era o que eu achava ser o mais impossível.

Você não quer falar sobre isso, então eu vou sair sem me despedir. Olho novamente sua aliança na mão direita e nós dois pensamos juntos, sofremos juntos e entendemos juntos também. Você nunca me quis de volta. Só quis suprir a dor de perdê-la. Mas agora, que ela esta de volta... Porque você precisa de mim?
Você não precisa. E é por isso que dou um basta nessa relação. Porque sou uma líder, nata. Eu não nasci pra banco de reserva, segunda opção. Engoli meu orgulho por exatos cinco anos, pra não receber nem metade do amor que te dei. Pra mim é assim: Amor a gente não desiste. Tem que lutar, mesmo. Sofrer, engolir orgulho, correr atrás. Já fui ate desprezada por não desistir de você.

Mas assim como amor a gente não desiste, amor a gente não implora. Vai ser assim? Me procurar só quando as coisas apertam? Sai fora. Não sou divã pra lamentações. Eu quero que me chame na fome e na bonança. Na festa e nas lágrimas. E se for só pra metade, valeu aí, mas eu passo.
Dói demais não saber dos seus dias, e você não sabe a alegria de quando te vi engolindo seu orgulho pra vir falar comigo. Mas seu ego já inflou novamente... E eu não vou esperar você finalmente ver a amiga maravilhosa que fui pra você. Não. Se em cinco anos você não foi capaz de perceber isso, não lhe darei nem mais um minuto.

Ela vai embora. Vai embora pra sempre, e em breve. E quando você olhar pro banco de reservas, ele estará vazio. Eu me recuso a me humilhar mais uma vez por você. Eu desisto de te ter pela metade. Não precisa correr atrás, perguntar, pedir desculpas. Agora é tarde. Eu já fui embora, e essa é a ultima vez que eu vou gastar minhas palavras, meus pensamentos e minhas lágrimas com você.
Só pra me despedir. Eu não ousarei falar no seu nome. E você não ouse me amar novamente. Você fez sua escolha, e agora você colhe as consequências.

Um beijo, meu amor. Meu anjo.

Não foi infinito. Infelizmente, não foi.  

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Retrospectiva 2012




Minha retrospectiva não tem nada a ver com o que aconteceu em um ano. Não tem a ver com a nota que 2012 merece. Toda bênção e consequência estão guardados em mim. E agora vomito tudo aqui. Tudo aquilo que cada gota de sangue e cada neurônio absorveu, eu jogo aqui, pra que eu nunca me esqueça o que meus dezessete anos me proporcionou.

Há três anos, eu larguei meus amigos, meu namorado, meu mundo perfeito e fui contra meus próprios valores e contra as indicações da minha própria família para abastecer a sonhadora que existia em mim. Me arrependi, quebrei a cara. Vi meus amigos de anos se esquivando até desaparecerem, vi rostos amigos torcendo pelo meu mal e vi meu grande amor indo embora.

Por satisfazer sonhos bobos, eu estava sozinha. Me culpei por tanto tempo, me arrependendo de ter olhado só para mim mesma, pela primeira vez. Deveria eu, continuar me doando sempre pelos outros, acima de qualquer coisa?

O tempo passou e as respostas chegaram. Há duas semanas eu me formei. E em algum momento, seja lá recebendo meu diploma, ou confeccionando meu texto de oratória, percebi que um sonho bobo, nunca deixa de ser um sonho. E logo, nunca deve ser ignorado.

Percebi que amigos verdadeiros não se alegram nas suas vitórias, e sim se você esta feliz com elas. Achava que um bom amigo era aquele que se doava pelo outro. Mas hoje, eu sei que um bom amigo é aquele que te lembra "Ei, se coloca em primeiro lugar sempre, porque se você não o fizer, quem mais vai fazer?".

E fui em frente com meu sonho. Perdi mil amigos. E não ganhei nem cinco. Mas cinco valiosíssimos. Cinco que não tiveram duvidas sobre acatar minhas dores. Cinco que não jogaram dos dois lados, que entenderam minhas dores, minhas repulsas. Que estiveram comigo quando os dias ficaram escuros.

Muito pouco. Muito sozinha. Mas feliz. Focada e ciente que dei asas aos sonhos corretos. Se me perguntarem se sinto falta, não nego: Sinto sim, a cada minuto. Mas não abro mão de ser feliz pelos outros, nunca mais.
Gente: Felicidade e amor são as únicas duas coisas no mundo que não dá pra colocar na mão de qualquer um! Se você não sabe cuidar do seu, quem dirá dos outros! Se alguém um dia te oferecer o próprio coração, devolva. A vida dos outros não cabe a você, cuidar. E não se esqueçam de se fazer felizes, as vezes. Brigadeiro, DVD, uma boa festa ou só acordando no fim da tarde.

Ser feliz é tão simples, que as vezes a gente nem vê. E acha que felicidade é uma pessoa, um sentimento. Eu termino 2012 assim: Feliz. E sei que sou feliz porque estou sozinha, porque eu me proporcionei essa sensação. Colhi os bons frutos que plantei e arranquei as ervas daninhas de perto. Não é o quintal mais vistoso da vizinhança, mas esta crescendo, esta crescendo... Vai vendo.

Valeu 2012! Com você eu comecei a me tornar a mulher que sonhei em ser. É só um começo. Mas o primeiro passo foi dado. Não vou mais parar. O ano de 2013 vem vindo, cheio de mudanças e novidades. Tudo vai ser experiência, crescimento. Mas vai ser feliz, cheio de sonhos dos quais eu darei asas. Cheio de amor próprio e boa companhia. Não quero rever nada que aconteceu. O que teve em 2012, fica em 2012. Tinha que acontecer. Tinha que ser daquela maneira, e por mais que isso não me deixe feliz, eu tenho aprendido a arquivar como experiência. O bem que vier, é bem vindo. E há males, que vem para o bem, não é mesmo?

Pronta pro próximo?
Welcome, 2013.

domingo, 25 de novembro de 2012

És tu


Sei que é você. Sei que é por você. Sou melhor porque tenho você. Sou amor porque sou de você. E é por isso que sempre vou ceder. Sempre vou permitir que ocorra. Porque é com você que quero chegar no fim do dia, e é seu rosto que quero ver de manhã, ao meu lado. Por saber que é você o amor da minha vida que suporto os erros e os dias ruins. Depois de uma briga, paro e me teletransporto para quando estivermos velhos, cabelos grisalhos, sentados na varanda, enquanto aqueço meus pés nos seus. É uma briga muito pequena para o destino que esta chegando. Para o futuro que estou planejando.
Planeja comigo?
Sei que estamos muito conectados, mas sei que estamos em um mundo e que não somos somente nós dois. Muita coisa de fora influencia, e vai influenciar por ambas as partes. Novas pessoas, novos lençois. Mas sei que o "Sim" do altar será pra você. Sei que no último segundo, quando tiver de pensar em alguém, vai ser em você que vou pensar. Quando eu tiver de escolher, vai ser você. Você vai se lembrar de como ficava linda nas roupas de frio, e eu vou pensar nos seus olhos gigantes, me procurando aonde quer que fosse. Você sempre entrega no olhar. 
Todo mundo te conhece só pelo o que falo. Não consigo chegar numa mesa de bar e não falar por horas do ser humano incrível que é você. Mesmo depois de uma briga, eu não consigo falar de você sem tecer elogios ao seu cérebro pensante ou seu sorriso de moleque. De como você fica lindo quando esta com a barba mal feita. Você é uma pessoa incrível e é por isso e mais duzentas mil coisas que quero terminar minha vida do seu lado. Porque você me faz ficar pequena em seus braços, e é nesse momento que me sinto mais segura, também. Quando tudo estiver perdido e estivermos em outros colos, você vai lembrar da minha voz doce quando cantava ao som do seu violão, e eu vou me lembrar dos batimentos do seu coração. Nós vamos sorrir e simplesmente ter a consciência de que somos o amor da vida do outro. Vou me levantar e encontrar minha alma gêmea. Porque sei que é você, e é por isso que espero tudo, suporto tudo. Você me escolheria sempre. Eu te escolherei sempre. O amor nos escolheu. Pra sempre. 

domingo, 11 de novembro de 2012




Junto as forças que tenho pra carregar as malas daqui pra fora. - Assim que passar dessa porta, tudo vai mudar, tudo vai mudar. – eu penso. Nada disso. Eu me viro e a vejo me nutrindo, me enchendo e me aumentando. Eu percebo nosso cordão umbilical nos juntando novamente, como um imã que procura incansavelmente o outro, para se tornar um.
Eu tento te deixar, mas sei que você me puxa de volta.
Pare de gritar, abaixe o tom da voz. Não é por autoritarismo. Escuta isso. Escuta as entrelinhas no silêncio. Se permita escutar algo além do seu alter ego. Não peço que escute minha voz. Eu sei tão pouco. Aquela criança ainda esta esperando para te escutar. Para aprender com você. Me contaram que os pais que nos ensinam essa coisa de viver, de crescer.
Aonde estava você, nessa hora?
Eu não sei nada porque você nunca me ensinou nada. Então, não escute a mim. Não escute a você. Sei que quando você se cala, inicia uma nova guerra ai dentro. São pensamentos gritando, arrancando as paredes e pulando pelas janelas. Pare os pensamentos. As palavras. Escute ao músculo dentro do seu peito. Ele é quem permite que você abra a boca para falar tantas besteiras. Dê um pouco mais de valor pra isso. Escute o que ele te suplica pra fazer.
E se ai, sim, se você quiser quebrar a cadeia magnética que temos, eu esquecerei tudo. Eu cortarei nosso cordão, nossos laços e tudo aquilo que nos une, e não volto. Eu levo as malas, os olhares e as felicidades pra fora dessa porta. E tudo será melhor. Porque você fez o que seu coração mandou, e consequentemente, você foi mais feliz com suas escolhas. Você fez o que devia ter feito, e não permitirei que se lamente, depois. Nenhuma lágrima. Você fez o que devia ser feito.
Se ainda assim doer, se ainda assim houver mágoas e arrependimento: Você continua pensando demais. E sentindo de menos.

Eu sinto muito. 

terça-feira, 30 de outubro de 2012

O pior pra você


To precisando de um lugar quieto com você. Sem medo de quem vai chegar, da hora que preciso ir. Sem medo de você me devorar, de eu não resistir a você. Preciso de um lugar nosso, pra te mostrar o que somos nós. Preciso de um lugar vazio pra te mostrar como somos vazios.

Sou cheia das borboletas, você, da fumaça. Fumaça que te enjoa o estômago, que necrosa os pulmões e que deixa cega de mim. Você não vê, mais minha borboletas são douradas. Você já conhece essa história?

 Você não vê, mas minhas lagartas saem do casulo pra se tornarem escorpiões e cobras. E com meu veneno eu te puxo pra perto e te entorpeço com mais fumaça.

Abra teus olhos e perceba o mal. Larga esses cigarros e dê um basta na minha imprudência, na minha falta de amor. Não vê como sou perigosa? Como sou ruim pra ti?

Te vi percorrendo longos caminhos envolvida numa auréola, branca e luminosa. E eu te sugo cada mais vez mais. Eu pego toda essa inocência e transformo em podridão, enquanto eu me torno forte na sua dependência de mim. Te mordo como as saborosas maçãs verdes à minha frente, e te degusto como se fosse a primeira refeição após longos anos.

Minhas borboletas querem salvar você.

Minha borboletas querem me salvar.

Se salve! Aproveite que estou repousando e fuja. Roube as chaves e saia dessa algema. Aproveite que não estou te aplicando nenhuma droga, e na sua abstinência, me enxergue como sou. O monstro que sou.
Fuja das minhas promessas furadas, meus erros contínuos, meu jeito prepotente de ser. Sou hipócrita também. Fuja dos meus enganos.

Mas me perdoe também. Sou uma doente insana e infeliz, que morrerá sozinha. Me perdoe por meus enganos. Mesmo depois de te envolver nas minhas promessas e em tudo que pedi que você confiasse.
Eu não sou confiável.

Eu me enganei, mas não foi só a mim que decepcionei.  Eu sei. E me culpo também.

É por isso que te entrego as chaves, o antídoto e essa carta, pra que você possa ler, depois, quando curada, pra entender que eu sempre fui o pior pra você. Pode não parecer agora. Você sabe, é a fumaça.

Mas você verá, nitidamente. Eu sempre fui o pior pra você.